"Se você pode sonhar, então você pode fazer"
Walt Disney
Pesquisaí
quarta-feira, julho 30
10 Lembretes de Peter Drucker
Peter Drucker, sem dúvida, pode ser considerado como o patrono da moderna administração. Parte deste sucesso deve-se ao seu extremo poder de antever situações e circunstâncias, baseado em sintomas muitas vezes pouco aparentes aos demais mortais, que derivam em consequentes denominações de fórmulas e princípios simples facilmente exequíveis no dia a dia das organizações.
Seguem abaixo, 10 conselhos de Drucker extraídos de várias de suas obras:
1. Na administração estratégica, a eficiência é importante, mas a eficácia é vital.
2. Defender o ontem, isto é, não inovar, é mais arriscado do que fazer o amanhã.
3. Deve-se aprender a ver as mudanças sociais, tecnológicas, econômicas e demográficas como oportunidades e não como ameaças.
4. Os empreendedores mais bem sucedidos que conheci sempre foram homens e mulheres humildes, que tinham consciência de que o sucesso de hoje pode ser o fracasso de amanhã e vice-versa.
5. Inovação é trabalho. Ações sistemáticas, deliberadas e disciplinadas são o que realmente conduzem uma empresa ao progresso.
6. Nunca misture unidades administrativas a unidades empreendedoras.
7. A pesquisa de marketing é um instrumento que pode ser utilizado para descobrir o que os clientes compram, como compram e assim por diante.
8. A simplicidade tende ao desenvolvimento, a complexidade à desintegração.
9. O judô empreendedor sempre se concentra no mercado e é dirigido pelo mercado
10. Aqueles que sobrevivem, tendem a evoluir.
Seguem abaixo, 10 conselhos de Drucker extraídos de várias de suas obras:
1. Na administração estratégica, a eficiência é importante, mas a eficácia é vital.
2. Defender o ontem, isto é, não inovar, é mais arriscado do que fazer o amanhã.
3. Deve-se aprender a ver as mudanças sociais, tecnológicas, econômicas e demográficas como oportunidades e não como ameaças.
4. Os empreendedores mais bem sucedidos que conheci sempre foram homens e mulheres humildes, que tinham consciência de que o sucesso de hoje pode ser o fracasso de amanhã e vice-versa.
5. Inovação é trabalho. Ações sistemáticas, deliberadas e disciplinadas são o que realmente conduzem uma empresa ao progresso.
6. Nunca misture unidades administrativas a unidades empreendedoras.
7. A pesquisa de marketing é um instrumento que pode ser utilizado para descobrir o que os clientes compram, como compram e assim por diante.
8. A simplicidade tende ao desenvolvimento, a complexidade à desintegração.
9. O judô empreendedor sempre se concentra no mercado e é dirigido pelo mercado
10. Aqueles que sobrevivem, tendem a evoluir.
domingo, julho 27
Brazil: The Natural Knowledge Economy
É básico, acredito que quem beira a sanidade já tem noção disso, porém o interessante é que é um estudo de 160 páginas sobre o assunto, feito por um instituto de Londres. Ainda não tem tradução em português, foi lançado esse mês e parece muito válido.
Enjoy, english speakers. Tem uma vasta bibliografia e alguns gráficos, mas nenhuma imagem, então esse é só pra leitores de inglês mesmo.
http://www.demos.co.uk/files/Brazil_NKE_web.pdf
Enjoy, english speakers. Tem uma vasta bibliografia e alguns gráficos, mas nenhuma imagem, então esse é só pra leitores de inglês mesmo.
http://www.demos.co.uk/files/Brazil_NKE_web.pdf
O'Reilly e Dawkings
...
Fico dividido nessas opiniões, porém o que seria do mundo sem a mensagem de amor que o nazareno deixou de legado? Em conformidade com o argumento de O'Reilly, tanto Stalin, Mao Tsé e Hitler fram ateus; o que seria do mundo se não houvesse a metafísica da eternidade?
Por um lado, haveria normalmente uma emergência de revoluções e uma transformação social violenta, culminando novamente na emergência de uma nova aristocracia, ou na coerção dos mais fracos, que é o que já acontece hoje, pelo viés de discussão da alienação. E naturalmente uma nova metafísica seria instituída para o povão, com novas emergências de líderes e formação de sindicatos e política e tudo o que já acontece hoje. A solução então para o fim da escravidão, mesmo a sutil, é pela educação, pela palestra, pelo conhecimento dos fatos e dos sistemas que compõe a experiência humana, com seus fluxos e estoques.
Mas para que haja essa vontade de emancipação do povo, os líderes teriam que ser também professores, e não usurpadores ou tiranos, até porque a seletividade extrema impede a diversificação dos genes e por isso facilita o aparecimento de doenças congênitas. Por isso, a miscigenação e o processo integrador são partes fundamentais na evolução da consciência civilizadora, e não vejo outro mito mais interessante do que o Cristo nessa história. Não o Cristo histórico, mas a noção de "unção", para que possa-se trabalhar com outras coisas enquanto o Cristo vai lá e sangra pelo ideal.
Embora a ciência que Dawkings faz é real e bela, ainda não há a consciência antropológica e sociológica suficientes para uma emergência de um paradigma mais interessante.
Talvez quando tivermos colonizado outros planetas.
Felizes daqueles que sabem.
Hypersurface Design
“Durante estas horas finais do século 20, enquanto vagueamos na direção do novo milênio, pode-se experienciar a estranheza de olhar tanto para a frente quanto para trás simultaneamente. O deslocamento temporal deste futuro/passado é talvez indicativo de um vir a ser imerso nas tramas das nossas próprias tecnologias. Mover adiante no próximo século pode estar mais relacionado a tornar-se mais ´im-placed` (envolvido com o lugar) do que a projetar-se adiante em progresso social. Estar ´implaced` ou imerso, contudo, tem tangibilidade. Assim como nos comprometemos mais profundamente com a época da informação, também teremos que negociar o mundo físico. Nisto reside o desafio”. Stephen Perrella – Dezembro 1999
Stephen Perrella haptic@columbia.edu é arquiteto e editor/designer da NEWSLINE e COLUMBIA DOCUMENTS da Columbia University Graduate School of Architecture Planning and Preservation. Ele também é presidente do HyperSurface Systems, Inc. uma firma de design de tecnologia para Internet criada para explorar mais amplamente as interfaces arquitetônicas.
A Hipersuperfície (Hypersurface) é uma inquietação emergente da pesquisa de ponta em arquitetura na última década. Tal pesquisa vem se desenvolvendo numa companhia que vem se especializando em discutir as características experienciais espaciais dos ambientes de interface midiática emergentes, aplicações e suas consequentes implicações no interrelacionamento entre a concepção e a geração da forma.
O objetivo da Teoria da Hipersuperfície é unir dois discursos filosóficos que vieram a ser implementados na arquitetura: a tendência desconstrutivista baseada no trabalho de Derrida com o mais recente esforço de topologização que se fundamenta em Deleuze e Guattari. O conjunto da arquitetura topologizada com a cultura midiática tende a resultar num híbrido diferenciado capaz de reconectar uma arquitetura "elitista" com cotidiano, linguagem e matéria, representação com instrumentalidade, e imagem com forma.
Hipersuperfície é a figura de linguagem que nós usamos para descrever qualquer conjunto de relações que se comportam como sistemas de troca. Um sistema de trocas, que quando fisicamente construído como o presente, é a pressuposição de um conjunto de pontos ou a deformação dinâmica do espaço de um conjunto de pontos no conjunto de pontos adjacente na produção do novo.
Arquitetura de Hipersuperfície é um afeto não dicotômico para o século 21
entrevista com Stephen Perrella aqui.
Stephen Perrella haptic@columbia.edu é arquiteto e editor/designer da NEWSLINE e COLUMBIA DOCUMENTS da Columbia University Graduate School of Architecture Planning and Preservation. Ele também é presidente do HyperSurface Systems, Inc. uma firma de design de tecnologia para Internet criada para explorar mais amplamente as interfaces arquitetônicas.
A Hipersuperfície (Hypersurface) é uma inquietação emergente da pesquisa de ponta em arquitetura na última década. Tal pesquisa vem se desenvolvendo numa companhia que vem se especializando em discutir as características experienciais espaciais dos ambientes de interface midiática emergentes, aplicações e suas consequentes implicações no interrelacionamento entre a concepção e a geração da forma.
O objetivo da Teoria da Hipersuperfície é unir dois discursos filosóficos que vieram a ser implementados na arquitetura: a tendência desconstrutivista baseada no trabalho de Derrida com o mais recente esforço de topologização que se fundamenta em Deleuze e Guattari. O conjunto da arquitetura topologizada com a cultura midiática tende a resultar num híbrido diferenciado capaz de reconectar uma arquitetura "elitista" com cotidiano, linguagem e matéria, representação com instrumentalidade, e imagem com forma.
Hipersuperfície é a figura de linguagem que nós usamos para descrever qualquer conjunto de relações que se comportam como sistemas de troca. Um sistema de trocas, que quando fisicamente construído como o presente, é a pressuposição de um conjunto de pontos ou a deformação dinâmica do espaço de um conjunto de pontos no conjunto de pontos adjacente na produção do novo.
Arquitetura de Hipersuperfície é um afeto não dicotômico para o século 21
entrevista com Stephen Perrella aqui.
Gonzo Tech
Apesar de haver vivido em Los Angeles durante os últimos meses, e de ter começado o ano em outra das capitais cyberpunks do mundo, Mexico DF, o mais moderno que vi em arquitetura, ultimamente, o fizeram (fizemos) uns compas de Sevilla, numa excursão a Barcelona o passado mês de outubro.
Pablo de Soto, do coletivo arquitetônico wewearbuildings, os (ir)responsáveis pelo atentado aos bons costumes acadêmico-artístico-arquitetônicos de que irei escrever, qualificou a ação de "Arquitetura Gonzo". Brilhante! Eu o imaginei como uma mistura de cyberpunk e situacionismo. De algum lado, junto às moléculas de absinto e outros produtos químicos mais pós-modenos que flutuavam no ar, se sentia também um embriagador perfume anarco-zapatista. Cidade instantânea, construção de situações, hackitetura, máquina de guerra, okupação-reconquista do espaço público, distúrbio eletrônico...Viva a nova arquitetura! Estamos no século XXI, pelo menos alguns.
Jornalismo Gonzo é/era o praticado por Hunter S. Thompson nos 60/70. Seu famoso livro sobre os Hell's Angels foi a obra fundadora. Baseia-se em uma prática similar à da observação participativa das ciências sociais, ainda que levada ao limite. O agente que quer investigar uma certa situação não observa de fora com intenção de - impossível - objetividade, se não que passa a fazer parte dos processos que quer conhecer. A particularidade gonzo é que a experiência participativa chega a limites extremos de participação, risco, violência, nos quais desaparece a distância entre o observador e os personagens ou acontecimentos objetos de estudo; o observador se converte no principal protagonista da ação, uma ação sempre transgressora, que para ser gonzo deve implicar alguma espécie de violenta possessão, um devir radical...(É um ensaio provisório de aproximação, espero comentários e/ou definições alternativas).
A arquitetura gonzo seria então a construção de uma situação, - no sentido dos situacionistas, valha a redundância - arquitetônica, urbana, na qual todos os participantes são arrastados a uma experiência radical, transgressora, confrontacional, que chega a limites de ebriedade extática; que dá lugar, - nas palavras de Vaneigem -, à poesia que muda a vida e transforma o mundo. A diferença, o valor adicional, no que diz respeito a uma festa/rave, ou uma boa manifestação, seria uma explícita dimensão espacial-artístico-política do evento.
Uma máquina "arquitetônica" é o veículo para que se produza o encontro.
do rizoma.net
Pablo de Soto, do coletivo arquitetônico wewearbuildings, os (ir)responsáveis pelo atentado aos bons costumes acadêmico-artístico-arquitetônicos de que irei escrever, qualificou a ação de "Arquitetura Gonzo". Brilhante! Eu o imaginei como uma mistura de cyberpunk e situacionismo. De algum lado, junto às moléculas de absinto e outros produtos químicos mais pós-modenos que flutuavam no ar, se sentia também um embriagador perfume anarco-zapatista. Cidade instantânea, construção de situações, hackitetura, máquina de guerra, okupação-reconquista do espaço público, distúrbio eletrônico...Viva a nova arquitetura! Estamos no século XXI, pelo menos alguns.
Jornalismo Gonzo é/era o praticado por Hunter S. Thompson nos 60/70. Seu famoso livro sobre os Hell's Angels foi a obra fundadora. Baseia-se em uma prática similar à da observação participativa das ciências sociais, ainda que levada ao limite. O agente que quer investigar uma certa situação não observa de fora com intenção de - impossível - objetividade, se não que passa a fazer parte dos processos que quer conhecer. A particularidade gonzo é que a experiência participativa chega a limites extremos de participação, risco, violência, nos quais desaparece a distância entre o observador e os personagens ou acontecimentos objetos de estudo; o observador se converte no principal protagonista da ação, uma ação sempre transgressora, que para ser gonzo deve implicar alguma espécie de violenta possessão, um devir radical...(É um ensaio provisório de aproximação, espero comentários e/ou definições alternativas).
A arquitetura gonzo seria então a construção de uma situação, - no sentido dos situacionistas, valha a redundância - arquitetônica, urbana, na qual todos os participantes são arrastados a uma experiência radical, transgressora, confrontacional, que chega a limites de ebriedade extática; que dá lugar, - nas palavras de Vaneigem -, à poesia que muda a vida e transforma o mundo. A diferença, o valor adicional, no que diz respeito a uma festa/rave, ou uma boa manifestação, seria uma explícita dimensão espacial-artístico-política do evento.
Uma máquina "arquitetônica" é o veículo para que se produza o encontro.
do rizoma.net
sábado, julho 26
Colônia no séc. XIX
"...uma característica que igualmente se detecta em escritores nacionais e estrangeiros contemporâneos sempre que se discute a relação privilegiada de cada uma das metrópoles europeias com os seus impérios coloniais. Tal ambiguidade consiste no reconhecimento da necessidade de manutenção do velho sistema do pacto colonial- assente em privilégios e exclusivos atribuídos a negociantes e instituições nacionais e em proibições de instalação de manufacturas nos domínios coloniais - ao mesmo tempo que se admite uma maior abertura deste espaço económico reservado, quer através do acolhimento à participação interessada de outras nações no tráfego colonial, quer sobretudo através do apoio às iniciativas de agentes económicos individuais."
in Portugal como Problema, de José Joaquim da Cunha Azeredo Coutinho, brasileiro.
...
Sinceramente vejo pouca mudança comparado aos dias de hoje. Continua-se preservando os privilégios e exclusivos atribuídos a negociantes e instituições nacionais, proibições de instalação de manufacturas com essa burocracia e tributos proibitivos enquanto há a abertura dos portos às nações amigas para investimento e exploração dos serviços coloniais.
in Portugal como Problema, de José Joaquim da Cunha Azeredo Coutinho, brasileiro.
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Sinceramente vejo pouca mudança comparado aos dias de hoje. Continua-se preservando os privilégios e exclusivos atribuídos a negociantes e instituições nacionais, proibições de instalação de manufacturas com essa burocracia e tributos proibitivos enquanto há a abertura dos portos às nações amigas para investimento e exploração dos serviços coloniais.
El Iluminismo
"O Iluminismo representa a saída dos seres humanos de uma tutelagem que estes mesmos se impuseram a si. Tutelados são aqueles que se encontram incapazes de fazer uso da própria razão independentemente da direção de outrem. É-se culpado da própria tutelagem quando esta resulta não de uma deficiência do entendimento mas da falta de resolução e coragem para se fazer uso do entendimento independentemente da direção de outrem. Sapere aude! Tem coragem para fazer uso da tua própria razão! - esse é o lema do Iluminismo".
Kant
Kant
quinta-feira, julho 24
O espelho mágico de Baudrillard
Por Carlos Eduardo Elmadjian, 3º ano de Jornalismo
Faculdade Cásper Líbero
Apesar da popularidade que conquistou com suas idéias, o pensador francês Jean Baudrillard, de 74 anos, está longe de ser uma sumidade no meio intelectual. Mesmo assim, com seu jeito irônico, controverso e provocativo, o filósofo é considerado por muitos como um dos mais influentes críticos da sociedade contemporânea.
Baudrillard começou sua carreira como professor de sociologia na Universidade de Nanterre, em Paris, onde participou ativamente dos protestos estudantis de maio de 1968. Mas, foi a partir de 1977, com o livro Esquecer Foucault (Ed. Rocco), que ele proclamou sua independência como pensador e iniciou um relacionamento conturbado com os padrões estabelecidos pela academia intelectual francesa.
Apontado como "pensador terrorista", "niilista irônico", e até como "Cavaleiro do Apocalipse' por sua visão fatalista sobre a sociedade contemporânea, o filósofo, no entanto, defende-se de qualquer rótulo. "Sou um dissidente da verdade, alguém que não acredita no discurso de uma realidade única e inquestionável", disse em entrevista à revista Época em junho do ano passado.
Para Marcelo Buzato, professor de Teoria da Comunicação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Baudrillard "retoma a grande tradição do pensamento filosófico, preocupada com a relação entre o 'real' e o ‘virtual’, que começa com Platão e inclui, recentemente, teóricos como Bourdieu, Weissberg e Pierre Lévy"
Segundo Buzato, boa parte da popularidade que Baudrillard possui hoje se deve ao fato de ele ter se mostrado 'um dos pensadores mais influentes na discussão de como o avanço tecnológico tem modificado nossa relação com 'real''.
Dentro desse campo, o pensador francês afirma que "o mais importante acontecimento da história moderna" foi o desaparecimento da realidade. Em outras palavras, isso quer dizer que não vivemos mais a nossa própria realidade, mas apenas referencias ou ilusões dela mesma. Baudrillard chama esses fenômenos de "simulacros", isto é, simulações malfeitas do real.
Para o filósofo, a conseqüência disso é que caímos em um mundo sem sentido, no qual nos vemos forçados a nos prender em alguma concepção falsa da realidade para esconder a própria contradição dessa realidade.
Há também estudiosos que acreditam que o pensador francês não está tão assustado com essa catástrofe do real. Para Valter Rodrigues, professor de Psicologia da Faculdade Cásper Líbero, "Baudrillard conquistou a mídia e se transformou em um autor midiático". Ironicamente, hoje o filósofo francês ganha a vida realizando palestras pelo mundo inteiro e escrevendo livros bem distantes da academia, desfrutando da contradição de seu próprio nome ter se tornado uma valiosa moeda de troca na sociedade que ele tanto critica.
Rodrigues também acha que o pensador francês se tornou hoje um "niilista reativo, conforme Nietzsche os entendia: o intelectual que levanta algumas questões de oposição ou de crítica ao sistema e constrói seu prestígio em torno dessas questões insolúveis, como a demonstração de que vivemos em uma sociedade de simulacros".
Contudo, em entrevista à jornalista Scheila Leimer, em 1999, Baudrillard negou esse envolvimento com o mundo da mídia: "Coloco-me num universo paralelo, onde não há contradição violenta com o sistema dominante(...), estou na singularidade".
As influências do filósofo vão desde Marx, Nietzsche e Freud, até os antropólogos Levi-Strauss e Mauss, mas seu olhar está sempre voltado para o presente. Ele discute política internacional do mesmo modo como fala de comportamento sexual.
O pensador francês também não se incomoda nem um pouco em romper com dogmas acadêmicos ou morais. Baudrillard põe em questão Foucault, o imperialismo norte-americano, a política interna francesa e até a arte contemporânea, muitas vezes criando controvérsias e ganhando, por isso, uma fama que ultrapassa as barreiras da intelectualidade.
Aliás, essa fama ganhou proporções exageradas depois de os irmãos Wachovski terem admitido que se inspiraram em seu livro Simulacros e Simulação (ed. Relógio D´Água) para escrever o roteiro do filme Matrix. Entretanto, na mesma entrevista à Época, o filósofo faz questão de lembrar que não aprova sua participação involuntária no enredo: "Matrix faz uma leitura ingênua entre a ilusão e a realidade". Para Baudrillard, a distância entre o que é considerado real e irreal é muito mais tênue do que aquela apresentada pelo filme.
Faculdade Cásper Líbero
Apesar da popularidade que conquistou com suas idéias, o pensador francês Jean Baudrillard, de 74 anos, está longe de ser uma sumidade no meio intelectual. Mesmo assim, com seu jeito irônico, controverso e provocativo, o filósofo é considerado por muitos como um dos mais influentes críticos da sociedade contemporânea.
Baudrillard começou sua carreira como professor de sociologia na Universidade de Nanterre, em Paris, onde participou ativamente dos protestos estudantis de maio de 1968. Mas, foi a partir de 1977, com o livro Esquecer Foucault (Ed. Rocco), que ele proclamou sua independência como pensador e iniciou um relacionamento conturbado com os padrões estabelecidos pela academia intelectual francesa.
Apontado como "pensador terrorista", "niilista irônico", e até como "Cavaleiro do Apocalipse' por sua visão fatalista sobre a sociedade contemporânea, o filósofo, no entanto, defende-se de qualquer rótulo. "Sou um dissidente da verdade, alguém que não acredita no discurso de uma realidade única e inquestionável", disse em entrevista à revista Época em junho do ano passado.
Para Marcelo Buzato, professor de Teoria da Comunicação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Baudrillard "retoma a grande tradição do pensamento filosófico, preocupada com a relação entre o 'real' e o ‘virtual’, que começa com Platão e inclui, recentemente, teóricos como Bourdieu, Weissberg e Pierre Lévy"
Segundo Buzato, boa parte da popularidade que Baudrillard possui hoje se deve ao fato de ele ter se mostrado 'um dos pensadores mais influentes na discussão de como o avanço tecnológico tem modificado nossa relação com 'real''.
Dentro desse campo, o pensador francês afirma que "o mais importante acontecimento da história moderna" foi o desaparecimento da realidade. Em outras palavras, isso quer dizer que não vivemos mais a nossa própria realidade, mas apenas referencias ou ilusões dela mesma. Baudrillard chama esses fenômenos de "simulacros", isto é, simulações malfeitas do real.
Para o filósofo, a conseqüência disso é que caímos em um mundo sem sentido, no qual nos vemos forçados a nos prender em alguma concepção falsa da realidade para esconder a própria contradição dessa realidade.
Há também estudiosos que acreditam que o pensador francês não está tão assustado com essa catástrofe do real. Para Valter Rodrigues, professor de Psicologia da Faculdade Cásper Líbero, "Baudrillard conquistou a mídia e se transformou em um autor midiático". Ironicamente, hoje o filósofo francês ganha a vida realizando palestras pelo mundo inteiro e escrevendo livros bem distantes da academia, desfrutando da contradição de seu próprio nome ter se tornado uma valiosa moeda de troca na sociedade que ele tanto critica.
Rodrigues também acha que o pensador francês se tornou hoje um "niilista reativo, conforme Nietzsche os entendia: o intelectual que levanta algumas questões de oposição ou de crítica ao sistema e constrói seu prestígio em torno dessas questões insolúveis, como a demonstração de que vivemos em uma sociedade de simulacros".
Contudo, em entrevista à jornalista Scheila Leimer, em 1999, Baudrillard negou esse envolvimento com o mundo da mídia: "Coloco-me num universo paralelo, onde não há contradição violenta com o sistema dominante(...), estou na singularidade".
As influências do filósofo vão desde Marx, Nietzsche e Freud, até os antropólogos Levi-Strauss e Mauss, mas seu olhar está sempre voltado para o presente. Ele discute política internacional do mesmo modo como fala de comportamento sexual.
O pensador francês também não se incomoda nem um pouco em romper com dogmas acadêmicos ou morais. Baudrillard põe em questão Foucault, o imperialismo norte-americano, a política interna francesa e até a arte contemporânea, muitas vezes criando controvérsias e ganhando, por isso, uma fama que ultrapassa as barreiras da intelectualidade.
Aliás, essa fama ganhou proporções exageradas depois de os irmãos Wachovski terem admitido que se inspiraram em seu livro Simulacros e Simulação (ed. Relógio D´Água) para escrever o roteiro do filme Matrix. Entretanto, na mesma entrevista à Época, o filósofo faz questão de lembrar que não aprova sua participação involuntária no enredo: "Matrix faz uma leitura ingênua entre a ilusão e a realidade". Para Baudrillard, a distância entre o que é considerado real e irreal é muito mais tênue do que aquela apresentada pelo filme.
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