Pesquisaí

quarta-feira, março 11

Júbilo


Para um dos melhores roteiristas da face da Terra, Alan "the Lord of Chaos" Moore. Bravo!





A trilha sonora é impecável, então vão 2 das músicas revisitadas em pleno 2009; coisa de arrepiar cabeça. Eu tava me achando prolixo, então estou me acostumando a parar de falar.

Falaí Bob.

Conjuctio

Divulgação e cultura científica
Por Carlos Vogt

Por Nereide Cerqueira e Marta Kanashiro


A revista ComCiência, em comemoração à sua 100ª edição, publica uma entrevista com seu diretor de redação, Carlos Vogt. Poeta e lingüista, ele trata das origens da revista, da cultura científica e da institucionalização da divulgação científica no Brasil. Vogt, que já foi reitor da Unicamp e presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), atualmente é coordenador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor/Unicamp) e Secretário de Ensino Superior do Estado de São Paulo.

Como foi o surgimento da revista ComCiência?

A revista ComCiência nasceu com a primeira turma do Curso de Especialização em Jornalismo Científico, como parte de um processo de formação dos estudantes. Isto é, a revista foi proposta como um laboratório para o exercício dos alunos do curso, para a fazerem a apresentação pública dos textos. O nome ComCiência foi produto de um concurso realizado entre os próprios estudantes, para sugestão de nomes. Desta idéia, de termos uma publicação eletrônica no Labjor para o exercício da produção de textos dos alunos do curso, e da qualidade da produção que observamos, seguiu-se a proposta para SPBC que essa fosse também uma publicação associada Labjor-SBPC.

Em 1999, na reunião do conselho da SBPC, onde estávamos eu e Mônica Macedo (uma das idealizadoras do projeto), fizemos para o conselho uma apresentação da revista. Apesar de incipiente, a ComCiência já estava bem estruturada, com o perfil que prevalece até hoje, e o conselho da SBPC aprovou que a revista passasse a ser uma publicação SBPC-Labjor. Até hoje ela carrega o logo da SBPC como uma das instituições que patrocinam a produção da revista.

O número 100 é interessante porque marca o desenvolvimento de uma publicação que começa como exercício acadêmico, escolar, para formação dos alunos e que continua desse modo, com essa função e, ao mesmo tempo, tem essa expressão mais profissional de publicação na área de divulgação científica. A revista passou a ser um referencial nas publicações eletrônicas, tanto para a leitura descomprometida, por prazer, como se pode ver pelo perfil dos leitores, como também do ponto de vista de formação dos alunos de ensino médio que usam a revista como fonte para trabalhos escolares, e ainda em outro nível, como referência para produção de textos acadêmicos.

A revista não é só uma publicação empenhada na divulgação científica para públicos diversos, seja de ensino médio ou de especialistas, como ela também abarca a formação na área de jornalismo científico e divulgação científica. Isso torna a revista um caso particular. Ela é uma revista de divulgação, mas é um laboratório de formação acadêmica, é uma revista de referência acadêmica porque aparece citada em trabalhos acadêmicos, como teses. E isso tudo porque ela tem uma estrutura, que foi a concepção original da revista, que trabalha com diferentes níveis da divulgação, e associa textos de especialistas sobre um tema específico, com reportagens mais gerais. O que se busca é um equilíbrio entre o olhar mais focado e o mais generalista em torno do assunto que está sendo tratado. Uma outra particularidade da revista é que ela, desde o começo, se propôs tratar da ciência enquanto divulgação científica, no sentido amplo, isto é, tratar das ciências humanas, das ciências exatas, das ciências da vida, das humanidades, isto é, tratar desse universo que é abarcado pelo conceito amplo de cultura científica.

Qual é esse conceito de cultura científica e como isso influi na forma de divulgação científica?

Há um conceito bastante difundido de que cabe à divulgação científica preencher uma lacuna de informação que o leigo não tem em relação à ciência, isto é, que o leigo é, portanto, analfabeto cientificamente. Por isso os norte-americanos chamam essa atividade de scientific literacy, que é alfabetização científica, isto é, tornar, portanto, o leigo informado das questões da ciência. A partir de surveys e enquetes sobre essa questão, notaram que também nos Estados Unidos o percentual da população que tinha informação sobre muitas questões, eventos ou fatos científicos era relativamente pequeno. Esse déficit de informação - teoria do déficit - orientou durante muito tempo as atividades de divulgação. O que cabia à divulgação científica? Cabia suprir o déficit de informação da população leiga em relação à ciência. Portanto, considerava-se como pressuposto que a população leiga era ignorante do ponto de vista científico e era preciso então levar a ela o conhecimento.

Com o decorrer das atividades em vários países, na Inglaterra, na França, na Europa de modo geral, e com o reflexo disso em países como o Brasil, essa teoria do déficit foi sendo substituída por uma visão mais democrática do papel da divulgação científica. Nessa visão, não cabe à divulgação científica apenas levar a informação, mas também atuar de modo a produzir as condições de formação crítica do cidadão em relação à ciência. Não só cabe à divulgação a aquisição de conhecimento e informação, mas a produção de uma reflexão relativa ao papel da ciência, sua função na sociedade, as tomadas de decisão correlatas, fomentos, aos apoios da ciência, seu próprio destino, suas prioridades e assim por diante. Isso vai além da atitude inicial, na qual o cientista era o sábio, o cidadão era o ignorante e o jornalista científico ou divulgador da ciência era o construtor da ponte entre essas figuras, de maneira a suprir o tal déficit de informação. Essa visão foi sendo enriquecida. E, na Inglaterra, desenvolveu-se o que se chama public understanding of science, que é diferente do scientific literacy, do ponto de vista americano e, em seguida, um conceito que é ligado ao primeiro, mas um pouco diferente, que é o public awareness of science. Um é o entendimento público de ciência, e o outro é a consciência pública da ciência. Nesses casos, o que está sendo enfatizado não é só a aquisição da informação, a possibilidade de acesso à informação, mas a formação do cidadão no sentido em que ele possa ter opiniões e uma visão crítica de todo o processo envolvido na produção do conhecimento científico com sua circulação e assim por diante. Esse é um conceito relacionado à cultura científica que modifica os modos de se fazer e pensar a própria divulgação.

Os projetos institucionais do Labjor, que de uma forma geral, envolvem divulgação, e mesmo sua própria concepção de cultura científica, podem ser considerados como instrumentos de inclusão?

O pressuposto é de que se você oferece condições de acesso democrático à informação a toda população, viabiliza um conhecimento que tem a força para socializar, portanto, para produzir o chamado fenômeno da inclusão social do ponto de vista da informação. É claro que questão social é uma questão de fundamento material e econômico. Mas com relação à informação, esses projetos e a proposta de cultura científica são inclusivos, pois promovem informação reflexiva e de qualidade sobre ciência. A revista ComCiência tem pela qualidade dos textos, dos colaboradores e da produção, um papel muito importante. É um site interessante porque ele é livre, é aberto e é em português. É interessante observar, por exemplo, o número de acessos crescente da revista. Hoje tem 800 mil visitações, é um número significativo.

Mas, e quando se trata da ciência em nível decisório?

Com a institucionalização da ciência cada vez mais acentuada e mais forte, e com a sofisticação de toda infra-estrutura necessária para a produção de conhecimento de pesquisa em diferentes áreas, as condições dessa produção foram cada vez mais sendo dependentes também dos investimentos que devem ser feitos para que essas coisas aconteçam. E esses investimentos são disputados por diferentes programas, por diferentes prioridades. E as decisões são decisões que cada vez mais se tomam em fóruns de participação mais aberta, ou seja, não só por cientistas, mas por políticos e empresários. Isto é, quem são os decision makers? Essa história da democracia participativa foi gerando também a necessidade de que a divulgação pudesse cumprir um papel de formação crítica no leigo, que muitas vezes é quem vai representar uma ONG, um sindicato, e para isso não se espera que ele fique lá batendo estaca, batendo o pé no chão, sem a visão crítica da coisa.

Um dos conceitos, uma das conseqüências, um dos efeitos, digamos assim, perlocutórios da ciência e da tecnologia é a questão dos riscos implicados. E isso passou a ser debatido em fóruns que não têm mais o fechamento que tinha antes, em que o cientista decidia isso, o empresário sozinho decidia ou o governo sozinho decidia. Hoje há uma participação tão mais aberta da sociedade, que é necessário que as questões estejam sob um entendimento mais claro, mais desenvolvido. Porque mesmo que uma pessoa não seja um cientista, se ela tiver uma visão minimamente razoável do que se trata, sua decisão, seu voto, a sua participação será uma participação criticamente valiosa. Então, isso vale para as tomadas de decisão, para o destino dos investimentos. Onde botar o dinheiro? Por que botar dinheiro aqui, não botar ali e assim por diante. Quem decide isso?

Eu brinco com uma frase do Nelson Rodrigues que dizia que pênalti é uma coisa tão importante que é o presidente do clube que devia bater, eu digo que ciência é um negócio tão importante que não pode ser decidido só pelos cientistas. Agora, não é só pelos cientistas, é pela sociedade como um todo. Não fazer a ciência, não estou dizendo que você vai votar no piloto do avião, em quem vai ser o piloto do avião, não é isso que estou dizendo. Estou dizendo que essas decisões são decisões que devem ser tomadas em fóruns mais abertos do que fóruns propriamente técnicos.

No Brasil você tem uma instituição que foi criada dentro desse espírito, que é a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) e que tem uma participação representativa de cientistas, de acadêmicos, de agentes governamentais, de sindicatos, etc, e que é um órgão normativo. Então isso é um novo cenário no mundo todo. Estou dizendo isso para enfatizar o fato de que a questão da divulgação tem um papel estratégico principalmente, um papel fundamental do ponto de vista da participação crítica da sociedade como um todo nessas questões de ciência, que dizem respeito aos destinos, às formas, aos investimentos, aos riscos e assim por diante, aos aspectos todos que envolvem a produção científica.

E como o Labjor atua dentro desse contexto de produção e circulação do conhecimento científico?

Eu penso que nós aqui no Labjor entramos exatamente nesse momento de mudança de visão, da science literacy para uma visão mais crítica e reflexiva. O Labjor foi fundado em 1994, e éramos o Alberto Dines, o José Marques de Melo e eu com a idéia de fazermos um laboratório de estudos avançados em jornalismo que tratasse dos temas do jornalismo em geral, desenvolvendo uma atitude crítica, capacitando profissionais. A idéia de nós enfatizarmos uma linha de jornalismo científico surgiu logo em seguida, com a criação do curso. Isso foi em 1997, com a 3ª edição do Pronex (Programa de Apoio a Núcleos de Excelência) - um grande programa nacional criado pelo Ministério da Ciência e da Tecnologia, administrado pelo CNPq. Apresentamos um programa de desenvolvimento de um núcleo de jornalismo científico, com um programa de pós-graduação, de especialização, incluindo as publicações e linhas de pesquisa. A aprovação desse projeto, na época com 700 e poucos mil reais pra cinco anos, permitiu que traçássemos uma linha de atuação que associou o trabalho de produção das revistas como a ComCiência, Ciência e Cultura, revista Patrimônio e outras publicações, como a revista Inovação e depois Conhecimento e Inovação, com as atividades de formação de pesquisadores e divulgadores na área (de formação, portanto, de educação para divulgação, de educação para a ciência). Portanto, ao mesmo tempo, constituímos linhas de pesquisa que permitissem o aprofundamento do trabalho de formação de especialistas, de produção do conhecimento e de divulgação científica. Foi algo extremamente original e fecundo na história da atividade de divulgação científica, porque criamos um projeto, que incluiu um programa de pós-graduação, linhas de pesquisa, publicações, formação de pessoal, tudo isso com intuito de dar institucionalidade à atividade de divulgação científica como formação, chamando para o curso não só jornalistas, mas especialistas de todas as áreas, como é o caso de vários colegas de curso.

Além disso, é interessante pensar que todo esse cenário que eu estava desenhando, sobre as decisões acerca da ciência e a participação da sociedade nesse processo, isso tudo veio acontecendo junto e, no Brasil, também foi se sentindo a necessidade de iniciativas que apoiassem, que incentivassem, que mobilizassem os acadêmicos, os profissionais, etc no sentido do interesse pelo tema da divulgação. Ao mesmo tempo em que nós estávamos criando o curso, essa coisa toda, a Fapesp estava criando o programa MídiaCiência, com características interessantes porque é um programa para concessão de bolsas de até um ano para que o estudante possa se dedicar à sua formação em divulgação científica. Isso tudo tem a ver com esse cenário que eu estava desenhando, com essa preocupação de se criar condições institucionais, para motivar o médico, o biólogo, o físico, o economista, o engenheiro, os jornalistas, etc, a focar a questão da divulgação científica. O MídiaCiência é um programa ao qual nosso curso recorre bastante intensamente e que tem nos apoiado de maneira muito forte e importante.

De que forma essa trajetória conecta-se com sua proposta de “espiral da cultura científica”?


A atividade científica também é uma atividade cultural específica, tem especificidades, tem características dos pontos de vista lingüístico, sociológico, epistemológico, filosófico. É uma atividade cultural que tem características muito específicas no que diz respeito aos aspectos da produção do conhecimento científico e que tem características que vão se agregando a esta do ponto de vista não só da produção do conhecimento, mas da circulação social do conhecimento científico, pelo ensino, pelas atividades de motivação em torno da ciência e das atividades de divulgação. Então, com isso, eu tentei representar na “espiral da cultura científica” que é a idéia desse movimento.

É claro que isso é uma visão que supõe que o conhecimento, que a história caminha por superação de etapas. Não tem aí ainda os abalos que depois se instalariam e que um pouco estão instalados nessa história de pós-modernidade. O conceito de cultura científica que eu tentei explicitar com a “espiral da cultura científica” possui essa dinâmica, e é algo que está muito presente nas publicações que fazemos. A ComCiência é muito isso. Ela não é uma publicação científica clássica, ela não é uma publicação jornalística no sentido específico. Ela é uma publicação de cultura científica. E a revista Ciência e Cultura é a mesma coisa, porque ela é uma revista que está entre a expressão do especialista e a visão generalista dos temas que são tratados.

É algo que hoje está muito presente nos grandes projetos institucionais que caracterizam as atividades científicas do mundo, não só do país como fora daqui. Os Cepids (Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão) da Fapesp são muito isso. Então, são projetos que supõem produzir conhecimento, pesquisar, portanto, mas também circular esse conhecimento, tanto pelo ensino, pela difusão, como pela divulgação do conhecimento. Assim como, no caso do CInAPCe, que é um programa que tem características fortes de pesquisa, altamente compartimentada, mas multidisciplinar e, ao mesmo tempo, uma atividade que se relaciona fortemente com a interação social desse conhecimento e as relações que se produzem.

O conceito de cultura científica é mais interessante porque é mais amplo, mais envolvente. Permite trabalhar nesses segmentos onde o conhecimento compartilha essa dubiedade que é característica da dinâmica própria do conhecimento que é estar entre a ciência e a arte, e assim por diante. Além do curso de especialização (lato sensu), o mestrado (stricto sensu), que se tornou uma realidade no Labjor agora, é também a expressão institucional desse movimento. Implementar um mestrado em divulgação científica e divulgação cultural é um esforço de tentar trabalhar nessa linha.

O Labjor faz algum tipo de pesquisa, de medição, para avaliar o modo como a ciência e a tecnologia chegam ao público?

Tudo isso deve ser integrado. A ação institucional tem que ser sempre uma ação organizada e organizadora, tem que ser orgânica nesse sentido. As instituições, em geral, são orgânicas, senão, não funciona. Então, por um lado temos a idéia do curso, das revistas, que vão trabalhando com essa questão da divulgação e dessa relação entre ciência e sociedade. Ao mesmo tempo, há a preocupação em colocar o laboratório em linhas de pesquisa que tem a ver com a percepção pública da ciência, isto é, através dos surveys, realizar pesquisa quantitativa e análise qualitativa do modo como a ciência e a tecnologia chegam ao público. Nesse trajeto temos o SAPO (Scientific Automatic Press Observer). É uma mudança em relação às análises centimétricas, como era feita tradicionalmente a avaliação quantitativa da ocorrência dos temas de ciência e tecnologia na mídia, ou o destaque e a importância dados nos jornais para ciência. O que imaginamos para essa mudança foi um dispositivo, um motor de buscas, como é o Google, por exemplo, que faz varreduras e consegue oferecer resultados que podemos quantificar e assim gerar condições para fazer análise qualitativa da freqüentação dos temas de ciência e tecnologia nos jornais e consequentemente do modo, do quanto e do como esses temas são freqüentados pelo leitor.

O curso, as revistas, a percepção pública, o SAPO, tudo isso vai formando partes de um corpo comum, que é trabalhar exatamente essa relação entre ciência e sociedade sobre diferentes entradas e diferentes ângulos. Acredito que isso caracteriza o esforço institucional que realizamos numa universidade como a Unicamp, que tem peso, que tem importância, que forma pesquisadores.

da ComCiência

terça-feira, março 10

Vai um Brahma aí?



de Rugabowls

domingo, março 8

Wild-E

"O descontentamento é o primeiro passo na evolução de um homem ou de uma nação. "




"O Estado deve fazer o que é útil. O indivíduo deve fazer o que é belo."

citações de Oscar Wilde (1854-1900)

Poquin diciência

Nunca é demais lembrar um dos temas mais importantes da biologia evolutiva: é muito raro, para não dizer impossível, que características importantes surjam do nada. Simplesmente não é assim que a banda toca quando falamos de seres vivos. Sem poder se dar ao luxo de voltar à prancheta de desenho diante de um novo desafio, a evolução trabalha sempre com o que já existe, ajustando um detalhe aqui, aparando uma aresta ali, reciclando incontáveis vezes sua matéria-prima. Foi dessa maneira que os mesmos quatro membros básicos dos vertebrados terrestres viraram asas e nadadeiras, para citar um caso óbvio. Mas o conceito se aplica igualmente bem a algumas de nossas características mentais mais caras e complexas. Um exemplo? A repulsa que sentimos diante dos mais variados tipos de maldades e sacanagens. Segundo esse ponto de vista, o nojo moral nasceu do nojo físico.



A hipótese acaba de ser explorada de forma elegante por Hannah Chapman, da Universidade de Toronto, e outros três colegas canadenses. As pistas que eles seguiram estão, na verdade, acumulando-se cada vez em outros estudos sobre as emoções morais humanas. Parece que as pessoas tomam decisões sobre o certo e o errado de forma muito pouco racional, baseando-se muito mais em instintos morais que estão muito mais ligados à emoção do que ao raciocínio. De quebra, análises do funcionamento do cérebro em “tempo real” (com máquinas de ressonância magnética) indicam que as nossas metáforas linguísticas não são tão metafóricas assim. Quando falamos em “calor humano” ou sentimos o “frio da solidão”, as áreas cerebrais ligadas à sensação física “acendem” por causa da emoção associada com ela. Chega a ser sinistro.

Voltando à repulsa moral: haveria algo mais concreto por trás dos chavões quando dizemos que Hitler ou Stalin eram “nojentos”? Numa pesquisa recentemente publicada na revista especializada americana “Science”, Hannah Chapman e seus colegas investigaram, primeiro, que músculos do rosto são ativados por coisas fisicamente nojentas ou repulsivas. Voluntários recrutados pelo trio tiveram de beber líquidos de sabor neutro, doce ou amargo, e de ver fotografias com cenas de ferimentos, fezes e insetos. (Que delícia, pensará você.) O resultado foi o esperado: as coisas universalmente reconhecidas como nojentas levaram à ativação da região muscular batizada de levator labii. Trocando em miúdos: o lábio superior dos sujeitos ficou arqueado e seu nariz, torcido, fez uma fusquinha, como você pode ver na terceira foto acima.

Agora é que vem o pulo-do-gato. A próxima tarefa dos voluntários foi participar do Jogo do Ultimato, uma brincadeira muito usada para estudar os instintos sociais humanos. Nele, um dos jogadores recebe uma quantia (R$ 10, digamos), que ele tem a liberdade de repartir com um parceiro da maneira que quiser. Só há um porém: se o parceiro achar a proposta do primeiro jogador abusiva e recusá-la, ninguém fica com nada. Estudos anteriores mostraram que, diante de uma oferta muito baixa (R$ 1 ou coisa do tipo), as pessoas preferem não ganhar nada a ser exploradas.

Pois bem: quando um jogador sacaneava o outro no Jogo do Ultimato, os pesquisadores perceberam algo no mínimo curioso. Os participantes passados para trás relatavam, num questionário, o nojo como a emoção mais intensa do momento, seguida meio de longe pela raiva. Ao verem imagens de expressões faciais, também escolhiam a de nojo como a que melhor representava seu estado de espírito. E, de forma nada surpreendente, o levator labii dos que se recusavam a aceitar a oferta injusta foi muito ativado na pesquisa.

É claro que as conclusões são preliminares, mas elas certamente alimentam inúmeras especulações sobre a ligação entre razão, emoção, instinto e linguagem. É impressionante imaginar que o nosso senso de justiça, aparentemente tão abstrato e “elevado”, usa como elevador comportamental uma necessidade básica de todo animal, o nojo que sentimos diante de comida estragada ou de um cadáver putrefato. Longe de ser apenas um fardo do qual precisamos nos libertar, nossa história evolutiva às vezes ajuda nossa espécie a se conectar com o que há de mais nobre em sua trajetória e em seu potencial.

de Visões da Vida

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Um exemplo do que é fazer ciência básica, de acordo com a estrutura de Kuhn. É medição quantitativa de aspectos qualitativos saboreados, usando o paradigma de uma disciplina qualquer.

quinta-feira, março 5

A Maçã, de Vilã à Campeã

Apple é eleita a empresa mais admirada do mundo

A Apple, proprietária das famosas marcas iMac, iPod e iPhone, é a companhia mais admirada do mundo pelo segundo ano consecutivo, segundo ranking elaborado pela revista Fortune. A empresa de Steve Jobs recebeu melhor avaliação e apareceu no topo do ranking em inovação, gestão de pessoal e qualidade dos produtos e serviços.

Na próxima edição, a revista publicará um ranking das 50 empresas mais admiradas, de acordo com uma pesquisa realizada entre empresários e executivos. No universo das companhias listadas, menos de dez são estrangeiras.

Além da mais admirada, a Apple ocupa o segundo lugar entre as empresas com “maior sensatez financeira” e o terceiro lugar no uso de ativos empresariais, na qualidade de gestão e nos investimentos de longo prazo. O co-fundador da empresa, Steve Jobs, que encontra-se no momento afastado por licença médica, é elogiado por sua capacidade de transformar a companhia e tornar sua marca tão prestigiada.

Entre as empresas do setor de informática, a Apple fica atrás da Xerox e está na segunda colocação, à frente de HP, Canon, Sun Microsystems e Dell, respectivamente.

Na ordem do ranking, o segundo lugar entre as empresas mais admiradas no quesito inovação da Fortune coube à Walt Disney, seguida do Google e Amazon.com, que aparece em sétimo.

A segunda empresa na lista geral é o grupo Berkshire Hathaway, que controla uma série de subsidiárias nos setores de seguro e crédito e detém participação em diversas empresas.

As únicas empresas estrangeiras presentes no índice são Toyota Motors (Japão, em 3º), BMW (Alemanha, 28º), Singapore Airlines (Cingapura, 33º), Nestlé (Suíça, 38º), Sony (Japão, 39º), Nokia (Finlândia, 42º), Toyota Industries (Japão, 46º), Accenture (Bermudas, 49º) e Samsung (Coreia do Sul, 50º).

Veja a lista das 50 empresas do ranking:

1. Apple (EUA)
2. Berkshire Hathaway (EUA)
3. Toyota Motor (Japão)
4. Google (EUA)
5. Johnson & Johnson (EUA)
6. Procter & Gamble (EUA)
7. FedEx (EUA)
8. Southwest Airlines (EUA)
9. General Electric (EUA)
10. Microsoft (EUA)
11. Wal-Mart Stores (EUA)
12. Coca-Cola (EUA)
13. Walt Disney (EUA)
14. Wells Fargo (EUA)
15. Goldman Sachs Group (EUA)
16. McDonald’s (EUA)
17. IBM (EUA)
18. 3M (EUA)
19. Target (EUA)
20. JPMorgan Chase (EUA)
21. PepsiCo (EUA)
22. Costco Wholesale (EUA)
23. Nike (EUA)
24. Nordstrom (EUA)
25. Exxon Mobil (EUA)
26. Bank of America (EUA)
27. United Parcel Service (EUA)
28. BMW (Alemanha)
29. American Express (EUA)
30. Hewlett-Packard (EUA)
31. Cisco Systems (EUA)
32. Honda Motor (JPN)
33. Singapore Airlines (Cingapura)
34. Starbucks (EUA)
35. Caterpillar (EUA)
36. Intel (EUA)
37. Marriott International (EUA)
38. Nestlé (Suíça)
39. Sony (Japão)
40. Boeing (EUA)
41. Deere (EUA)
42. Nokia (Finlândia)
43. Northwestern Mutual (EUA)
44. Best Buy (EUA)
45. Geral Mills (EUA)
46. Toyota Industries (Japão)
47. Lowe’s (EUA)
48. AT&T (EUA)
49. Accenture (Bermudas)
50. Samsung Electronics (Coreia do Sul)


Fonte: Época NEGÓCIOS Online

sábado, fevereiro 28

Binário

100001

O Céu explica.
Just do it!

Coração?!


Choronzon is a demon or devil that originated in writing with the 16th century occultists Edward Kelley and John Dee within the latter's occult system of Enochian magic. In the 20th century he became an important element within the mystical system of Thelema, founded by Aleister Crowley, where he is the Dweller in the Abyss, believed to be the last great obstacle between the adept and enlightenment. Thelemites believe that if he is met with proper preparation, then his function is to destroy the ego, which allows the adept to move beyond the Abyss of occult cosmology.

Spelling variations
Including Crowley's spelling of the name, Choronzon, there appear to be three alternatives. Meric Casaubon states that the name is Coronzon (without an 'h') in his ‘True and Faithful Relation…’. However, this is at variance with the spelling that appears in Dr. John Dee's own journals. Laycock's Enochian dictionary gives the latter spelling as Coronzom, citing an original manuscript (Cotton XLVI Pt. I, fol. 91a) as the source for the variant.


Choronzon according to Crowley
Otherwise known as the Demon of Dispersion, Choronzon is described by Crowley as a temporary personification of the raving and inconsistent forces that occupy the Abyss.[1][5] In this system, Choronzon is given form in evocation only in order that it may be mastered.

Crowley states that he and Victor Benjamin Neuburg evoked Choronzon in the Sahara Desert, December 1909.[1][6] In Crowley's account, it is unclear whether Choronzon was invoked into an empty Solomonic triangle while Crowley sat elsewhere, or whether Crowley himself was the medium into which the demon was evoked. Nearly all writers except Lawrence Sutin take him to mean the latter. In the account, Choronzon is described as changing shape, which is read variously as an account of an actual metamorphosis, a subjective impression of Neuburg's, or fabrication on Crowley's part.

The account describes the demon throwing sand over the triangle in order to breach it, following which it attacked Neuburg 'in the form of a naked savage', forcing him to drive it back at the point of a dagger. Crowley's account has been criticised as unreliable, as the relevant original pages are torn from the notebook in which the account was written. This, along with other inconsistencies in the manuscript, has led to speculation that the event was heavily embroidered in order to support Crowley's own belief system. Crowley himself claimed, in a footnote to the account in Liber 418, that "(t)he greatest precautions were taken at the time, and have since been yet further fortified, to keep silence concerning the rite of evocation." Arthur Calder-Marshall, meanwhile, asserts in The Magic of my Youth[7] that Neuburg gave a quite different account of the event, claiming that he and Crowley evoked the spirit of "a foreman builder from Ur of the Chaldees," who chose to call himself "P.472". The conversation begins when two British students ask Neuburg about a version of the story in which Crowley turned him into a zebra and sold him to a zoo. Neuburg's response in this book contradicts both the words attributed to him in Liber 418[8] and the statement of Crowley biographer Lawrence Sutin.[9]

Choronzon is deemed to be held in check by the power of the Goddess Babalon, inhabitant of Binah, the third Sephirah of the Tree of Life. Both Choronzon and the Abyss are discussed in Crowley's Confessions (ch. 66):

"The name of the Dweller in the Abyss is Choronzon, but he is not really an individual. The Abyss is empty of being; it is filled with all possible forms, each equally inane, each therefore evil in the only true sense of the word—that is, meaningless but malignant, in so far as it craves to become real. These forms swirl senselessly into haphazard heaps like dust devils, and each such chance aggregation asserts itself to be an individual and shrieks, "I am I!" though aware all the time that its elements have no true bond; so that the slightest disturbance dissipates the delusion just as a horseman, meeting a dust devil, brings it in showers of sand to the earth"

sexta-feira, fevereiro 27

Fazendo as Contas para achar os bons empregos

Matemáticos em primeiro lugar em uma nova classificação das melhores e piores ocupações nos EUA

The Wall Street Journal, 6 de Janeiro de 2009, por Sarah E. NEEDLEMAN ´


Dezenove anos atrás a carreira de Jennifer Courter tomou um caminho que, desde então, lhe deu um fluxo constante de empregos lucrativos e de baixo stress. Agora a sua profissão - Matemática - foi classificada no topo de um novo estudo dos melhores e piores empregos nos Estados Unidos.
"É muito mais do que apenas uma matéria chata que todo mundo tem que aprender na escola", diz a Sra. Courter, uma pesquisadora em matemática que trabalha na "Mental Images Inc.", um fabricante de software de visualização 3D em São Francisco. "É a ciência da resolução de problemas."

O estudo, que será liberado a partir de terça feira na CareerCast.com, um novo site de empregos, avalia 200 profissões para determinar o melhor e o pior de acordo com cinco critérios inerentes a todo trabalho: meio ambiente, renda, chance de se obter um emprego, exigências físicas e stress (CareerCast.com é publicado pela Adicio Inc., na qual a empresa proprietária do Wall Street Journal, News Corp, detém uma participação minoritária.)

Os resultados foram compilados por Les Krantz, autor de "Jobs Rated Almanac", e são baseados em dados do gabinete americano de estatísticas do trabalho e do "Census Bureau" (o departamento americano que faz o recenceamento), bem como estudos de associações comerciais e a experiência do Sr. Krantz.

Segundo o estudo, matemáticos se saíram melhor em parte porque normalmente trabalham em condições favoráveis - em ambientes fechados e em locais livres de substancias tóxicas ou ruído - ao contrário daqueles no final da lista, como operador de centrais de processamento de esgoto, pintor e pedreiro. Também não se espera deles que trabalhem levantando pesos pesados, se arrastando ou se agachando - atributos associados a ocupações como bombeiro, mecânico de automóveis ou encanador.

O estudo considera também salário, que foi determinado medindo-se o rendimento médio de cada trabalho e seu respectivo potencial de crescimento. O rendimento anual dos Matemáticos foi calculado em US$ 94.160, mas a Sra. Courter, que tem 38 anos, diz que seu salário é superior a esse montante.

O seu emprego consiste em trabalhar como parte de uma equipe virtual que cria programas de computador baseados em matemática, alguns dos quais foram utilizados para fazer filmes como "The Matrix" e "Speed Racer". Ela trabalha em casa, em seu computador conectado com a rede da empresa e raramente trabalha horas extras ou se sente estressada. "Resolução de problemas envolve muito pensamento", diz a Sra. Courter. "Eu acho isto tranquilizante".

Outros empregos no topo da lista do estudo incluem Atuário, Estatístico, Biólogo, Engenheiro de Software, Analista de Sistemas, Historiador e Sociólogo.

Os 20 melhores empregos estudados foram:

Matemático
Atuário
Estatístico
Biólogo
Engenheiro de Software
Analista de Sistemas
Historiador
Sociólogo
Designer Industrial
Contador
Economista
Filósofo
Físico
Oficial de Liberdade Condicional
Meteorologista
Técnico de Laboratório de Análises Clínicas
Assistente Paralegal
Programador de Computador
Editor de Cinema
Astrônomo

E os 20 piores empregos estudados são:
Pedreiro
Bombeiro
Trabalhador em Clínicas Infantis
Pintor
Enfermeiro
Tecnico em Descontaminação Nuclear
Açougueiro
Mecânico de Automóveis
Metalúrgico (Sheet Metal Worker)
Carteiro
Trabalhador em Construções
Ferreiro
Lojista
Soldador
Lixeiro
Técnico de Emergência Médica
Marinheiro
Motorista de Taxi
Trabalhador em Fazenda de Laticínios
Lenhador

Para informações sobre a metodologia do estudo e descrições detalhadas, veja http://careercast.com/jobs/content/JobsRated_Methodology.

Mark Nord é um sociólogo que trabalha para o Departamento de Agricultura do "Serviço de Pesquisas Economicas" em Washington, DC. Ele estuda questões relacionadas à fome em lares americanos e escreve relatórios científicos sobre suas descobertas. "A melhor parte do trabalho é a sensação de que eu estou contribuindo para que os políticos tomem decisões acertadas", diz ele. "As conclusões às quais eu chego são utilizadas por organizações sociais (advocacy organizations), a mídia e funcionários do governo.

O estudo estima que sociólogos ganhem US$63.195 por ano, embora o Sr. Nord, de 62 anos, diga que seu rendimento é cerca de duas vezes esse montante. Ele diz que não está surpreso com os resultados da pesquisa pois o seu trabalho gera pouco stress e ele tem um horário fixo, trabalhando sempre das 7h30 às 4h00. "É tudo feito no computador em minha mesa", diz ele. "O principal risco ocupacional é a síndrome do túnel do carpo."

Na extremidade oposta do espectro de carreiras estão os lenhadores. O estudo mostra que estes trabalhadores tem a pior ocupação, devido à natureza perigosa do seu trabalho, um emprego com poucas perspectivas e baixa remuneração anual - apenas US$32.124.

Novos equipamentos protetores - tais como coberturas para calças feitas de materiais reforçados com fibra de vidro - e uma maior ênfase na segurança contribuíram para reduzir lesões entre os lenhadores, diz Paul Branch, que gerencia o departamento de madeira na "Pike Lumber Co" in Akron, Indiana. Ainda assim acidentes ocorrem de tempos em tempos, e alguns até mesmo resultam em morte. "Não é um trabalho que qualquer pessoa possa fazer", diz o Sr. Branch.

Mas Eric Nellans, que tem cortado madeira nos últimos 11 anos para Pike Lumber, é apaixonado pela sua profissão. "É um trabalho muito gratificante, especialmente no final do dia quando você vê o trabalho realizado", diz ele. O sr. Nellans, de 35 anos, não se desencorajou mesmo depois de ter quebrado a perna direita há quatro anos ao derrubar acidentalmente uma árvore morta. "Eu estava de volta na floresta cortando madeira em cinco semanas", diz ele.

Outros empregos no final da lista: trabalhador em fazenda de laticínios, taxista, marinheiro, técnico de emergência médica e carpinteiro.

Mike Riegel, um carpinteiro de 43 anos em Flemington, Nova Jersey, diz que gosta de trabalhar "ao ar livre". Uma vez que ele dirige o seu próprio negócio, que ele herdou de seu pai, ele pode iniciar e terminar o seu dia bem cedo no verão ou fazer o oposto quando está frio.

O estudo estima que carpinteiros ganhem rendimentos anuais de US$34.164, o que o Sr. Riegel diz que é coerente com aquilo que ele paga a novos empregados. Carpinteiros também foram mal classificado por causa de suas condições de trabalho perigosos. "Você não pode, evidentemente, ter medo das alturas", diz o Sr. Riegel, que uma vez caiu de dois andares enquanto trabalhava em um telhado na chuva, mas felizmente aterrisou com segurança em uma pilha macia de terra. "Por muito pouco eu não caí no cimento."

Clique aqui para ver a notícia original no Wall Street Journal

quarta-feira, fevereiro 25

Pros Anais da Nova Enciclopédia Revisitada, 999ª edição, de Voltaire & Frères

Dadinho é o caralho, meu nome agora é Zé Pequeno, porra!

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