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terça-feira, março 25

Vozes na Ecologia I

Entrevista com Franz Krajberg


Como surgiu a madeira queimada no seu processo de trabalho?

É uma história longa e tem um pouco de sensibilidade em relação à vida. Houve uma época em que viajava muito para o alto Mato Grosso e Amazônia. E lá eles destroem a floresta para plantar, por exemplo, soja transgênica. Só que para isso era preciso comprar sementes dos Estados Unidos. Achei o maior absurdo do mundo. Essa prática está destrindo a Amazônia, estão simplesmente botando fogo nela. Tudo isso se reflete muito no meu trabalho, quero mestrar a destrição da vida neste planeta. Não se deve esquecer que as florestas do sul da Bahia, do Espírito Santo e de Minas Gerais foram as mais lindas e ricas do planeta. No entanto, foram destruídas em 50 anos. Tenho consciência disso e quero exprimir minha revolta através do que faço. Porque não são somente os homens que vivem neste planeta, todos os animais e vegetais têm o direito de viver aqui em harmonia. Com isso, meu trabalho está na direção de defender a vida.


Quando você achou que era importante usar árvores calcinadas e transformá-las em obras de arte?

Eu não uso essa expressão "obra de arte". O museu Franz Krajberg (previsto par ser instalado no Parque do Ibirapuera) é um lugar que deve apresentar o diálogo entre ecologia e vida. Meu diálogo se dá em função de defender a vida. Muitas vezes trago um pedaço de carvão deixado de uma árvore, que já foi uma bela vida, e questiono o que foi feito dessa bela vida, da qual só sobrou aquele pedaço de carvão. Queimada e destruída, reduzida a carvão. Então, não estou ligado no conceito de ser artista ou de fazer arte, essa linguagem não existe em mim nem no meu trabalho. Se for uma expressão artística para defender ou mostra a minha revoltam está certo. Se for para dizer que estou fazendo um museu artístico, não está certo. Estou fazendo um espaço ecológico para discutir, reunir e fazer o que for possível para defender a vida neste planeta.

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sexta-feira, março 21

Do Oiapoque à Chauí? Mais sobre a Verdade

Nossa idéia da verdade foi construída ao longo dos séculos, a partir de três concepções diferentes, vindas da língua grega, da latina e da hebraica.

Em grego, verdade se diz aletheia, significando: não-oculto, não-escondido, não-dissimulado. O verdadeiro é o que se manifesta aos olhos do corpo e do espírito; a verdade é a manifestação daquilo que é ou existe tal como é. O verdadeiro se opõe ao falso, pseudos, que é o encoberto, o escondido, o dissimulado, o que parece ser e não é como parece. O verdadeiro é o evidente ou o plenamente visível para a razão.

Assim, a verdade é uma qualidade das próprias coisas e o verdadeiro está nas próprias coisas. Conhecer é ver e dizer a verdade que está na própria realidade e, portanto, a verdade depende de que a realidade se manifeste, enquanto a falsidade depende de que ela se esconda ou se dissimule em aparências.

Em latim, verdade se diz veritas e se refere à precisão, ao rigor e à exatidão de um relato, no qual se diz com detalhes, pormenores e fidelidade o que aconteceu. Verdadeiro se refere, portanto, à linguagem enquanto narrativa de fatos acontecidos, refere-se a enunciados que dizem fielmente as coisas tais como foram ou aconteceram. Um relato é veraz ou dotado de veracidade quando a linguagem enuncia os fatos reais.

A verdade depende, de um lado, da veracidade, da memória e da acuidade mental de quem fala e, de outro, de que o enunciado corresponda aos fatos acontecidos. A verdade não se refere às próprias coisas e aos próprios fatos (como acontece com a aletheia), mas ao relato e ao enunciado, à linguagem. Seu oposto, portanto, é a mentira ou a falsificação. As coisas e os fatos não são reais ou imaginários; os relatos e enunciados sobre eles é que são verdadeiros ou falsos.

Em hebraico verdade se diz emunah e significa confiança. Agora são as pessoas e é Deus quem são verdadeiros. Um Deus verdadeiro ou um amigo verdadeiro são aqueles que cumprem o que prometem, são fiéis à palavra dada ou a um pacto feito; enfim, não traem a confiança.

A verdade se relaciona com a presença, com a espera de que aquilo que foi prometido ou pactuado irá cumprir-se ou acontecer. Emunah é uma palavra de mesma origem que amém, que significa: assim seja. A verdade é uma crença fundada na esperança e na confiança, referidas ao futuro, ao que será ou virá. Sua forma mais elevada é a revelação divina e sua expressão mais perfeita é a profecia.

Aletheia se refere ao que as coisas são; veritas se refere aos fatos que foram; emunah se refere às ações e as coisas que serão. A nossa concepção da verdade é uma síntese dessas três fontes e por isso se refere às coisas presentes (como na aletheia), aos fatos passados (como na veritas) e às coisas futuras (como na emunah). Também se refere à própria realidade (como na aletheia), à linguagem (como na veritas) e à confiança-esperança (como na emunah).

de Marilena Chauí, em Convite à Filosofia.

terça-feira, março 18

Fuera

A cada dia que me torno homem uma experiência de caráter iniciática me aparece. De facto em algumas só me deparo depois do peão rodado, mas em todas tenho me saído sóbrio no juízo. Hoje foi mais uma despedida, ainda sem a heurística que necessitará uma revelação como esta, porém a escolha do outro lado foi feita e não há nada mais que farei, pois que não sou pró-instituto. Defendo meus próprios interesses, e como vários interesses meus são os mesmos do estado, ajo em conformidade com a lei, e acredito na lei que eu mesmo ajudei a constituir.

Quem não está com a lei está contra a correnteza da experiência humana, e pagará pelos danos cometidos à quem urbanizou e proporcionou condições de saneamento e urbanização. E a lei se fará cumprida.

Pra quem nada sabe do Direito Positivo e deseja se inteirar de lei, estamos abertos a isso. Pra quem quer ficar marginal e sacanear querer dar uma de Gérson em pleno ano 2008, digo não tem mais eco por aqui.

Saúde e paz aos bons.

quinta-feira, março 13

Sobre a Verdade

Numa cidade da Índia viviam sete sábios cegos. Como seus conselhos eram sempre excelentes, todas as pessoas que tinham problemas os consultavam. Embora fossem amigos, havia uma certa rivalidade entre eles, que de vez em quando discutiam sobre qual seria o mais sábio.

Certa noite, depois de muito debaterem acerca da verdade da vida, e não chegarem a um acordo, o sétimo sábio ficou tão aborrecido que resolveu ir morar sozinho numa caverna da montanha. Disse aos companheiros:

- Somos cegos para que possamos ouvir melhor e compreender melhor que as outras pessoas a verdade da vida. E, em vez de aconselhar os necessitados, vocês ficam aí brigando como se quisessem ganhar uma competição. Não aguento mais! Vou-me embora.

No dia seguinte, chegou à cidade um comerciante montado num elefante imenso. Os cegos jamais haviam tocado nesse animal e correram para a rua ao encontro dele.

O primeiro sábio apalpou a barriga do bicho e declarou:

- Trata-se de um ser gigantesco e muito forte! Posso tocar em seus músculos e eles não se movem: parecem paredes.

- Que bobagem! - disse o segundo sábio, tocando na presa do elefante. - Este animal é pontudo como uma lança, uma arma de guerra. Ele se parece com um tigre-dente-de-sabre!

- Ambos se enganam! - retrucou o terceiro sábio, que apalpava a tromba do elefante. - Este animal é idêntico a uma serpente! Mas não morde, porque não tem dentes na boca. É uma cobra mansa e macia.

- Vocês estão totalmente alucinados! - gritou o quinto sábio, que mexia nas orelhas do elefante. - Este animal não se parece com nenhum outro. Seus movimentos são ondeantes, como se seu corpo fosse uma enorme cortina ambulante!

- Vejam só! Todos vocês, mas todos mesmo, estão completamente errados! - irritou-se o sexto sábio, tocando a pequena cauda do elefante. - Este animal é como uma rocha com uma cordinha presa no corpo. Posso até me pendurar nele.

E assim ficaram debatendo, aos gritos, os seis sábios, durante horas e horas. Até que o sétimo sábio cego, o que agora habitava a montanha, apareceu conduzido por uma criança. Ouvindo a discussão, ele pediu ao menino que desenhasse no chão a figura do elefante. Quando tateou os contornos do desenho, percebeu que todos os sábios estavam certos e errados ao mesmo tempo. Agradeceu ao menino e afirmou:

- Assim os homens se comportam diante da verdade. Pegam apenas uma parte, pensam que é o todo e continuam sempre tolos.

História do folclore hindu

Augusto

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundíssimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância…
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme - este operário das ruínas -
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!



Augusto dos Anjos, Psicologia de um vencido

Se eu não respondesse por Felipe acharia estranho gostar de Augusto dos Anjos. Tudo bem entretanto, nada de novo debaixo do Sol.

Imortalidade

Esse é um post de revolta, posso dizer, porque praticamente quase todos os links de vídeo que coloquei nesse meu blog estão fora do ar, quase todos do Youtube. Porra, pode-se alegar copyright, está a direito, mas ficar brigando e pervertendo um sistema onde o único financeiramente favorecido é o Banco de Dados gestor é criancice e puramente sacanagem, pagando departamentos jurídicos pra cercear o que os detentores do poder, eles mesmos, começaram, a democracia; é, porque se antes o mau decisor era decapitado, agora lá está pela decisão do povo...e ficam lá pagando advogados pra ficarem vocalizando de acordo com os interesses corporativos, advogados também que não querem enfrentar o poder corporativo já que quem paga o mercedão na garagem é o gravatá do arranha céu.

A internet tem demonstrado a força política da multidão, e a nova ética com a tal nova legislação em relação à propriedade intelectual é uma questão de tempo, com muita poesia e jurisprudência; só quando os supostos detentores estiverem ligados ao open source como clientes que gostariam de oferecer o produto em qualidade melhor, seja ele qual for.

Nada pode deter a massa, diria a gravidade.

domingo, março 9

Positivismo

O curso de filosofia positiva não mora nas páginas do livro nem na mente de Augusto Comte. A filosofia positiva mora no ventre de toda mãe, no ideal de cada pai, no coração de cada bondade. Ser positivo não é necessidade; é escolha, é o saber da fé. O positivismo, como ficou conhecido o sistema de idéias geradora da sociologia, começa pela matemática e termina no estudo do homem social, e é tão mal incompreendido quanto foi a filosofia da história de Marx.

Insinuante é o nome do canal pra essa teoria: Augusto Contador, numa tradução livre. Os trechos abaixo são do artigo da Wikipedia, que pode ser lido inteiro aqui.

"Tudo é relativo, eis o único princípio absoluto" (1819)

"Todas as concepções humanas passam por três estádios sucessivos - teológico, metafísico e positivo -, com uma velocidade proporcional à velocidade dos fenômenos correspondentes" (1822) (a famosa "lei dos três estados").

A filosofia positiva de Comte nega que a explicação dos fenômenos naturais, assim como sociais, provenha de um só princípio. A visão positiva dos factos abandona a consideração das causas dos fenômenos (deus ou natureza) e torna-se pesquisa de suas leis, vistas como relações abstratas e constantes entre fenômenos observáveis.

Comte apresenta sete definições para o termo "positivo": real, útil, certo, preciso, relativo, orgânico e simpático.

* * *

Certamente alguns comunicadores e estadistas verão a oportunidade da formação de um corpo de controle científico-social que resultaria num totalitarismo, porém o cerne da filosofia positiva está a certeza da relatividade, fórmula física canalizada mais de 100 anos depois por Einstein. A república do Brasil foi fundada por positivistas, que colocaram seu lema na nossa bandeira: Ordem e Progresso; infelizmente ainda são os oligarcas que sugam o solo com monoculturas que ainda prospectam na política.

Um dia isso mudará, e essa afirmação pode ser considerada positivista. O que definitivamente é não-niilista.

Elementos

Todo homem são deveria ler os Elementos de Euclides. Eles são na verdade o motivo de eu ter mudado o nome para o Analfablog e razão de meus estudos atuais, além de Philosophy of Information (PI), Administração pra universidade, em Contabilidade pra formação em analista e a leitura de um livro ou 2, além das manchetes do dia e uns 5 vidcasts. E me sinto um grande analfabeto.

Misticismo

Não duvides da dúvida, e duvides.
Mas duvida com fé e até duvida da fé.
Pois não é a dúvida inércia na pendência da fé até a escuridão
e força no impulso para alcançar a compreensão?

Não duvides, e no entanto, duvida
de tudo quanto creias verdadeiro
por que a dúvida também é verdadeira,
em si e por si.

Duvidando da dúvida,
e duvidando com fé e da fé,
verás o ilusório da dúvida e a fé

derrubar-se aos seus pés...
E elevar-se majestosa ante teus olhos
a dúvida feita Verdade.

domingo, março 2

class Hibernar

Leiam a investigação do Luis Nassif no post abaixo, isso sim um trabalho jornalístico de primeira, que faz muito mais massa do que o que eu tive aqui. Não esperanço, mas o blog pode voltar daqui a algum tempo, não com o mesmo paradigma, mas com foco mais profissional. A experiência foi válida. Obrigado a todos os que leram.
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