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quarta-feira, fevereiro 6

Tropicália

Divino Maravilhoso - voz de Gal, letra de Caetano e música de Gil

terça-feira, fevereiro 5

He-Man and The Masters of the Universe


Yggdrasil


ODIN, às vezes passeava por Midgard, a terra do meio, entre os homens. Ia disfarçado de velho, apoiado numa bengala, e retribuía a gentileza com riquezas, cortesia com sabedoria, e o mau trato com vingança. A cada manhã seus dois corvos, Huginn e Munnin, voavam pelo mundo, lhe trazendo notícias da humanidade. O próprio Odin podia mudar sua aparência, e viajava sob forma de pássaro ou animal. Contam-se muitas histórias sobre como o Pai de Tudo conseguiu sua grande sabedoria e poderes mágicos. Para cada conquista houve um preço a pagar.

A Árvore do Mundo, Yggdrasil, é um freixo gigante que se eleva por cima do mundo. Uma raiz está no horrível mundo de Niflheim, onde a serpente Nidhogg se alimenta dos cadáveres, e morde a própria Yggdrasil. Uma Segunda raiz está no reino divino de Asgard, e lá moram as Norns, três velhas que governam o destino dos homens. Seus nomes são: Destino, Ser e Necessidade, e elas mantêm Yggdrasil viva, regando a raiz com a água pura da fonte do destino. A terceira raiz está em Jotunheim, a terra dos gigantes. Por baixo dessa raiz está a fonte, onde a cabeça cortada de Mimir diz palavras duras. Odin pagou com um de seus olhos para beber percepção e conhecimento dessa fonte. Mas foi da própria Yggdrasil que o Altíssimo, o Pai de Tudo, o Encapuzado, o terrível lanceiro, Odin de muitos nomes, obteve o segredo das runas, símbolos mágicos com os quais os homens podem registrar e compreender suas vidas. Durante nove longas noites Odin ficou pendurado na árvore açoitada do vento, vazado por uma lança, oferecendo a si mesmo como sacrifício. Nem mesmo Ratatosk, o esquilo que sobe e desce a árvore transmitindo insultos da águia, no topo, para a serpente Nidhogg, no fundo, ofereceu-lhe comida ou bebida. No final de seu sofrimento, Odin soltou um enorme grito e, agarrando as runas, caiu da árvore.

Quando levantou-se da morte, Odin sabia de muitas coisas escondidas do homem. Sabia como curar os doentes, sabia como cegar a espada de seus inimigos e como agarrar uma flecha em pleno vôo. Deus dos deuses, deus das batalhas, Odin cuida da humanidade. Aos poetas ele dá goles do orvalho da poesia, fermentando há tempos pelos anões; aos guerreiros mortos em batalha, ele oferece uma recepção suntuosa nos salões dourados de Valhalla.

de Editorial

Click on Klimt


Árvore da Vida - Gustav Klimt

segunda-feira, fevereiro 4

La Rouchefoucauld III

"A ausência apaga as pequenas paixões e fortalece as grandes."

sábado, fevereiro 2

When Love's gone...

David Guetta - Love is Gone

Sentenças sobre Arte Conceitual

Sol LeWitt foi um artista que conseguiu ser compreendido no Brasil no seu justo tempo. Antes mesmo de representar os Estados Unidos na 23ª. Bienal de São Paulo -isto é: quando já estava consagrado-, a invenção de uma "grade" minimalista já provocava um vigoroso debate entre artistas e teóricos, colocando o artista em diapasão com o neoconcretismo. Entre suas mais importantes exposições, cabe lembrar as Documentas 6 e 7 (1977 e 1982) e as participações em curadorias históricas, "Primary Structures" (Jewish Museum, Nova York, 1966) e "When Attitude Becomes Form" (Kunsthalle, Bern, Suíça, 1969).

O texto que a seção “em obras”, de Trópico, reproduz, “Sentenças sobre Arte Conceitual”, de 1969, traz a sentença que foi fundamental para Lucy Lippard no seu livro mais canônico, “Six Years: The Dematerialization of the Art Object From 1966 to 1972” (Londres, Studio Vista, 1973): "Nem todas as idéias precisam ser concretizadas". Talvez seja o caso de afirmar que nem todos os críticos, artistas, galeristas e colecionadores compreenderam o alcance desta frase. De todo modo, eis um texto para ler e reler, enquanto Sol Lewitt não está mais entre nós. (Lisette Lagnado)

*

1. Os artistas conceituais são místicos ao invés de racionalistas. Eles chegam a conclusões que a lógica não pode alcançar.

2. Julgamentos racionais repetem julgamentos racionais.

3. Julgamentos ilógicos levam a novas experiências.

4. A Arte Formal é essencialmente racional.

5. Pensamentos irracionais devem ser seguidos de maneira absoluta e lógica.

6. Se o artista muda de idéia no meio do caminho, enquanto executa seu trabalho, ele compromete o resultado e repete resultados passados.

7. A vontade do artista é secundária ao processo que ele inicia, desde a idéia até sua concretização. Sua voluntariedade pode ser pura manifestação do ego.

8. Quando palavras como pintura e escultura são usadas, elas carregam toda uma tradição e implicam a consequente aceitação desta tradição colocando, assim, limitações ao artista que hesita em ir além dos limites anteriores.

9. Conceito e idéia são coisas diferentes. O primeiro implica uma direção geral enquanto o último são os componentes. As idéias implementam o conceito.

10. Idéias em si podem ser uma obra de arte; estão em uma cadeia de desenvolvimento e podem finalmente encontrar alguma forma. Nem todas as idéias precisam ser concretizadas.

11. As idéias não vêm necessariamente em uma sequência lógica. Podem partir em direções inesperadas, mas uma idéia deve necessariamente estar completa na cabeça antes que a próxima se forme.

12. Para cada obra de arte que se concretiza existem muitas variações não concretizadas.

13. Uma obra de arte pode ser entendida como uma ponte que liga a mente do artista à mente do espectador. Mas pode jamais alcançar o espectador ou jamais sair da mente do artista.

14. As palavras de um artista a outro podem induzir uma cadeia de idéias - se estes compartilham o mesmo conceito.

15. Dado que nenhuma forma é intrinsecamente superior à outra, o artista pode usar, igualmente, qualquer forma, desde uma expressão verbal (escrita ou falada) até a realidade física.

16. Se palavras são usadas e procedem de idéias sobre arte, estas são arte e não literatura; números não são matemática.

17. Todas as idéias são arte se se referem à arte e encaixam-se nas convenções da arte.

18. Geralmente entendemos a arte do passado aplicando as convenções do presente e, assim, entendemos mal a arte do passado.

19. As convenções da arte são alteradas por obras de arte.

20. A arte bem sucedida transforma nossa compreensão das convenções ao alterar nossas percepções.

21. Perceber idéias conduz a novas idéias.

22. O artista não é capaz de imaginar sua arte nem de percebê-la antes de estar completa.

23. Um artista pode perceber erroneamente uma obra de arte (entendendo-a diferentemente do autor), mas abandonará sua própria cadeia de pensamento através desta má compreensão.

24. A percepção é subjetiva.

25. O artista não precisa necessariamente entender sua própria arte. Sua percepção não é melhor nem pior que a dos demais.

26. Um artista pode perceber a arte de outrem melhor que a sua própria.

27. O conceito de obra de arte pode envolver o material da peça ou seu processo de realização.

28. Uma vez estabelecida a idéia da obra na mente do artista, e decidida sua forma final, o processo é levado a cabo às cegas. Existem muitos defeitos secundários que o artista não é capaz de imaginar. Estes podem ser utilizados como idéias para novos trabalhos.

29. O processo é algo mecânico e não deve ser outro. Ele deve seguir seu curso.

30. Existem muitos elementos envolvidos numa obra de arte. Os mais importantes são os mais óbvios.

31. Se um artista utilizasse a mesma forma em um grupo de obras, e alternasse o material, poderíamos supor que o conceito envolvia o material.

32. Idéias banais não podem ser redimidas através de uma bela execução.

33. É difícil estragar uma boa idéia.

34. Quando um artista aprende bem demais o seu ofício, ele produz uma arte esperta.

35. Essas frases são comentários sobre arte e não são arte.


Tradução de Silvia Bigi e Márion Strecker Gomes para a revista “Arte em São Paulo”, n. 15, maio de 1983 (Publicado em 9/4/2007 no Uol)

Duc de la Rochefoucauld

"O homem verdadeiramente honesto é aquele que não se ofende com nada." -François

sexta-feira, fevereiro 1

Reality Jockey

Louco?!?!?...

Não, não é louco. O espírito somente
É que quebrou-lhe um elo da matéria.
Pensa melhor que vós, pensa mais livre,
Aproxima-se mais à essência etérea.

Achou pequeno o cérebro que o tinha:
Suas idéias não cabiam nele;
Seu corpo é que lutou contra sua alma,
E nessa luta foi vencido aquele.

Foi uma repulsão de dois contrários;
Foi um duelo, na verdade insano:
Foi um choque de agentes poderosos:
Foi o divino a combater com o humano.

Agora está mais livre. Algum atilho
Soltou-se-lhe do nó da inteligência;
Quebrou-se o anel dessa prisão de carne,
Entrou agora em sua própria essência.

Agora é mais espírito que corpo:
Agora é mais um ente lá de cima;
É mais, é mais que um homem vão de barro:
É um anjo de Deus, que Deus anima.

Agora, sim - o espírito mais livre
Pode subir às regiões supernas:
Pode, ao descer, anunciar aos homens
As palavras de Deus, também eternas.

E vós, almas terrenas, que a matéria
Ou sufocou ou reduziu a pouco,
Não lhe entendeis, por isso, as frases santas,
E zombando o chamais, portanto: - um louco!

Não, não é louco. O espírito somente
É que quebrou-lhe um elo da matéria.
Pensa melhor que vós, pensa mais livre,
aproxima-se mais à essência etérea.

Junqueira Freire - Louco
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